Juro. Tem aqueles que se esforçam para fracassar com sua pesquisa. Mas também tem outros que não tem a noção se o que fazem vai levar ao fracasso ou ao sucesso. E só podemos evitar aquilo que conhecemos ou sabemos como ocorre. Na dúvida, confira neste texto as principais mancadas que se você cometer, estará carimbando o atestado de óbito da sua pesquisa.

Na hora de fazer sua pesquisa, dicas do que fazer corretamente não faltam. Tem até softwares que podem lhe dizer passo a passo o que você deve fazer. Tudo isso para fazer uma pesquisa de sucesso. Mas… o que faz uma pesquisa fracassar? Quais são os erros cujo destino do fracasso é certo? Para evita-los, você precisa conhece-los. E este é o objetivo do artigo.

Para facilitar a leitura, dividi os erros mais comuns em 4 “atos”. O primeiro refere-se as tentativas de tornar sua pesquisa relevante, útil, disruptiva. Ou seja, o ato de INOVAÇÃO. O segundo é sobre as tarefas que antecedem a pesquisa em si, ou seja, ato de PREPARAÇÃO. Em seguida, as atividades de mão na massa, o ato de EXECUÇÃO. E por fim, as atividades de comunicação do resultado do seu estudo, o ato de DIVULGAÇÃO.

Caso acredite ter ficado algum erro fora, deixe nos comentários. Não conheço todos, e sua participação vai ajudar outros leitores a conhecer mais. Assim como falei, só podemos evitar o que conhecemos, aquilo que sabemos que pode acontecer. O desconhecido é inevitável.

ATO 01 – INOVAÇÃO

Palavra da moda. Seja criativo, inventivo. Faça diferente. É claro que é possível inovar na construção e execução da sua pesquisa. Por mais rígida que é a prática da ciência, sempre tem espaço para fazer coisas diferentes. Afinal o progresso da ciência só acontece com as inovações em métodos e abordagens das pesquisas. Mas, com certeza, as dicas abaixo não são “inovações” aceitáveis.

FRACASSO 01 – PESQUISE UM TEMA POUCO CONHECIDO

Existe duas possibilidades de cometer este erro. A primeira é você não ter domínio suficiente do tema para executar a pesquisa. É óbvio que domínio completo é utopia – afinal a razão de fazer a pesquisa é aprofundar seus conhecimentos – mas saber o básico é fundamental. Escolha temas com os quais você tem um bom conhecimento, e ataque com seu projeto as pequenas lacunas existentes.

A outra maneira é se aventurar em temas muito novos, com poucas referências. Em ciência, ninguém cria uma nova área de pesquisa “do nada”. Quase sempre ela é fruto de ANOS de pesquisa em outra área, sendo, portanto, seu desdobramento. Se você desconhece a origem desta nova área, não se meta. A falta de muitas referências prejudica seu real aprofundamento no tema, afinal a maior parte deste conhecimento ainda está em outras áreas. E só quem sabe disso – seus criadores – tem domínio suficiente para expandi-la.

FRACASSO 02 – USE MÉTODOS DE OUTRAS ÁREAS DE CONHECIMENTO

Apesar de a ciência ser pautada pela metodologia científica, seus métodos não são perfeitos. Pelo contrário, várias técnicas científicas têm muitas restrições a serem observadas. E normalmente estas restrições estão atreladas ao contexto da área de pesquisa.

Se você não é especialista da técnica, não a use fora do seu contexto. As vezes é comum ocorrer adaptações de métodos e técnicas entre áreas muito divergentes. Essa adaptação por si só é um objeto de pesquisa. Portanto, deve ser executado por pesquisadores do assunto. E nem sempre esse pesquisador será você.

Aliás, este é um erro bem comum. Com a vontade de produzir uma pesquisa inédita, muitos pesquisadores acabam importando métodos de áreas não similares, adaptando a sua área. Ciência não é feita de puxadinhos. É feita passo a passo, degrau por degrau. Não é uma corrida de 100m. É uma longa caminhada até chegar as grandes descobertas.

FRACASSO 03 – USE REFERÊNCIAS DE DIVERSAS FONTES ALTERNATIVAS

A diversificação nem sempre quer dizer qualidade e abrangência da sua pesquisa. Nem mesmo a quantidade de referências implica necessariamente que um estudo é mais abrangente que outro. A qualidade da sua fonte, e da fonte da sua fonte – referência da referência – é o que importa.

Por exemplo, usar como fontes periódicos recém-criados. Eles não devem ser sua principal fonte de consulta. Pelo contrário, pode ser usado uma que outra referência desta fonte, desde que alinhada as demais, mais tradicionais – ou seja, com validade comprovada pela ciência em pesquisas anteriores.

O mesmo vale para artigos de pesquisadores novos. A quantidade de publicações obviamente não implica em qualidade de conhecimento, mas a sua ausência (poucas ou nenhuma) implica sim em baixo nível de conhecimento, ou no mínimo duvidoso. Se for usar, relacione com autores clássicos da sua área de pesquisa.

Para ficar claro. Popularidade não implica necessariamente em qualidade. Ou seja, usar como referências artigos de revistas, jornais ou sites populares, mesmo se íntegros e verdadeiros, pode ser danoso para seu estudo. Simplesmente porque o método jornalístico é um dos vários métodos científicos de apuração de fatos. Em ciência, é necessário que um fato seja validado por vários métodos diferentes. Não penas por um.

E para finalizar. Nem pensar em citar artigos de blogs, Wikipédia, SlideShare… Por mais qualidade que você acredite ter nestas fontes, elas simplesmente não observam o método científico para coleta e análise dos dados. Portanto, não tem validade científica para usar como fonte.

#OBSERVAÇÃO SOBRE AS FONTES

É claro que, dependendo da sua área de pesquisa (história, política, marketing, entre outras), você vai acabar coletando dados de fontes alternativas (inclusive de postagens de redes sociais, por exemplo). Por isso precisa ficar claro a diferença entre fontes de REFERÊNCIAS e fontes de DADOS.

A primeira vai embasar seus argumentos e sua pesquisa (justificando-a). A segunda, é feita observando métodos de coleta e análise dos dados, ou seja, dos conteúdos destas fontes. Estas serão a base dos seus resultados. A primeira deve ser fundamentada no método científico, ter existido estudos por trás do seu conteúdo, das suas afirmações. A segunda, será apenas a fornecedora dos dados que vão embasar o seu estudo.

Ok. Já que ficou claro até onde e o que você pode fazer para produzir um estudo inovador, de verdade, chegou a hora da preparação. É aqui que você executa as atividades relacionadas ao desenvolvimento do projeto da sua pesquisa. E claro, também tem várias formas de você fracassar com sua pesquisa, ainda na fase de projeto.

ATO 02 – PREPARAÇÃO

Durante a preparação, normalmente é realizada a etapa de revisão de literatura sobre o tema de pesquisa desejado. Portanto, buscamos acumular referências para uso posterior. E algumas pessoas levam muito a sério a parte do acumular.

FRACASSO 01 – ACUMULAÇÃO DE FONTES E CONTEÚDO

Pegar vários livros para usar como fonte, as vezes 4 ou 5 para citar a mesma afirmativa – muito comum com livros para a parte de metodologia. Ler todos os artigos que coleta, de forma completa, com ficha de leitura e tudo. Ou ainda, como percebe depois de um tempo – que ler um artigo completo é trabalhoso –, decide usar “resumos prontos” da internet. E se o artigo é em inglês, traduções prontas ou “automáticas”.

É um erro atrás do outro. É um combo de fracasso. Novamente, quantidade não necessariamente implica em qualidade. Nem todas as fontes precisam ser lidas completamente. Nem mesmo todos os livros sobre o assunto. E nem toda fonte deve ser usada. Por isso que se chama revisão de literatura. Revisar implica em filtrar, selecionar o que deve ser usado, é útil, do que não se aplica ao seu estudo. Menos é mais (regra de ouro da produtividade).

FRACASSO 02 – ATALHOS DE “PRODUTIVIDADE”

Aqui pode ser recitado o fato de buscar resumos prontos de artigos, ou traduções prontas. A preguiça de fazer a sua parte corretamente, é uma boa armadilha para cometer erros. E claro, fracassar com seu projeto de pesquisa.

Mas tem outras formas. Estamos na era da informação, da tecnologia. E claro que existem alguns softwares disponíveis para orientar a sua escrita. Basta procurar no Google. A promessa é que, para você, basta seguir as instruções e dicas do programa, para ter seu texto pronto.

Soluções computacionais (programas e softwares em geral) trabalham com padrões, regras, repetição. Ou seja, lhe corrige em questões de gramática e escrita, e talvez na estruturação (seguindo alguns métodos com regras definidas). Mas não produz conteúdo. Este precisa sair da sua mente. É a sua versão do conhecimento disponível naquela área que deve estar na pesquisa. E é por isto que você é AUTOR do estudo. E não o programa que você comprou.

FRACASSO 03 – EXCESSO DE FOCO NA TAREFA

Este é um dos mais comuns. Pesquisas são tarefas complexas, normalmente longas. E temos também outras atividades para executar ao mesmo tempo. Então, uma solução óbvia é concentrar o tempo dedicado a tarefa em um determinado dia – ou fim de semana. Parece ser uma boa iniciativa para “produtividade”. Não é.

Leio muito sobre neurociência. Sigo e estudo muitos neurocientistas consagrados. E nesse assunto eles são praticamente unânimes. Nossa mente é mais produtiva quando fazemos algo em intervalos regulares (todo dia, no mesmo local e horário, de preferência). Ficar 6 horas seguidas num sábado são menos produtivas que 1 hora por dia nos outros seis dias.

Outro fato científico. Temos um limite de 6 horas por dia de concentração máxima. E outras 6 horas com pelo menos 50% de concentração. Depois destas 12 horas, praticamente inexiste concentração (vide gráfico da imagem abaixo). Portanto, verifique o tempo dedicado a todas as atividades que exigem sua atenção. Evite esta fadiga mental, pois executar sua pesquisa exige o máximo da sua mente.

#DICAS DO ORIENTADOR ONLINE

Tem dois livros de neurocientistas que explicam as afirmações acima, caso deseje aprofundar o conhecimento. “Foco” de Daniel Goleman e “Rápido e Devagar – Duas formas de pensar” de Daniel Kahneman. Os links são de um podcast que sigo sobre livros para empreendedores. Pode ouvir antes de efetivamente comprar as obras.

Uma outra dica é o livro do Steven Pinker, “Como a mente funciona”. Seu conhecimento não está mais tão atualizado – afinal o livro é de 1997 – mas a maestria como foi escrito, e a linguagem utilizada, o fazem uma excelente obra para ler antes de outros da área de ciência cognitiva. E suas reflexões sobre os assuntos são inspiradoras. Recomendo as TED Talks dele.

Por fim, tem um curso muito bom sobre como a mente aprende. Acho que agora está cobrando, mas quando fiz era gratuito. Recomendo demais. Afinal, ele é útil para sua vida. O curso é este: “Aprendendo a aprender: ferramentas mentais poderosas para ajudá-lo a dominar assuntos difíceis – site do Coursera”.

E por favor, faça pausas regulares. Sua atenção máxima precisa de intervalos regulares para “desfocar” e recarregar sua energia. Use a técnica Pomodoro, por exemplo. Ela foi criada com base em pesquisas. E claro, se executa no computador a atividade, durante a pausa, evite eletrônicos. Mudar o dispositivo não significa desfocar para sua mente.

FRACASSO 04 – EVITAR DISTRAÇÕES REGULARES

Pegando o gancho do foco excessivo. Com a desculpa de precisar focar na tarefa, muitas pessoas abrem mão de atividades recreativas e lazer. É outro grande erro. Atividades que exigem foco, são estressantes para a mente. E o estresse acumulado mina tua produtividade.

Portanto, siga este conselho. Não abandone seus amigos, sua família. Basta ser organizado. Eu, por exemplo, defini que durante 50 horas seguidas – das 17h de sexta até 19h de domingo – não realizo tarefa alguma estressante. Uso apenas para lazer. Simplesmente deixo de lado todas as minhas obrigações. Foco em fazer coisas boas, com amigos, com a família, ou comigo mesmo.

Cinema, bares, futebol, corrida… Aliás, praticar exercícios físicos é outra descoberta da neurociência com bonificação dupla: diminui o estresse, e renova (mantém jovem) os neurônios, ou seja, a mente. Como dica, nos intervalos da técnica Pomodoro, por que não praticar alguns exercícios de calistenia (musculação sem equipamentos, só com o peso do corpo) ou aeróbicos? Uma boa desculpa para entrar em forma e parar de adiar seu #projetoverão!

FRACASSO 05 – ALIMENTAÇÃO A BASE DE AÇÚCAR E ENERGÉTICOS

Se tem uma coisa que é danosa para seu corpo e mente é uma dieta com excesso de açúcar. Se um dia tiver a oportunidade de consultar um nutricionista, vai conhecer a guerra declarada destes profissionais com eles. E isso incluí todos os alimentos com alto teor na sua composição. Refrigerantes, chocolates (quem nunca, antes de uma prova?), biscoitos (ou bolacha?), etc.

Outro erro é aumentar a ingestão de bebidas estimulantes. Energético, pó de guaraná, café – de madrugada então, para virar a noite – e semelhantes. Como a atividade (sua pesquisa) é longa, o consumo prolongado destes produtos tem dois problemas. Primeiro que seu corpo vicia e, portanto, para o mesmo efeito você vai precisar de doses maiores.

Segundo, são toxinas para o corpo, quando consumidas em altas doses e/ou regularmente. E um corpo doente, implica numa mente doente, resultando em improdutividade. E leva um tempo para seu corpo “sarar” deste problema. O que implica em atraso, que gera estresse… Acho que deu para entender.

FRACASSO 06 – ESCOLHER O ORIENTADOR ANTES DO TEMA DE PESQUISA

Aqui acredito ser o erro mais cometido. E o mais clássico é correr atrás de um professor, para ser seu orientador, como no diálogo abaixo:

ALUNO: Professor Fulano, vou começar a fazer meu projeto de pesquisa pro TCC, gostaria que o senhor fosse o meu orientador. Aceita?
PROFESSOR: E qual vai ser o problema da tua pesquisa? Já sabe?
ALUNO: Ainda não.
PROFESSOR: Pelo menos sabe o tema de pesquisa?
ALUNO: Também não. Na verdade, ainda não fui atrás, a primeira coisa foi conversar agora com o senhor…
PROFESSOR: Ok. E como você sabe que eu posso lhe orientar, se você nem sabe sobre o que será tua pesquisa?
ALUNO: Mas isso não faz parte da orientação?

Não. Não faz. O projeto é seu. Faz parte da sua grade curricular, das suas atividades. O Orientador é igual um guia de viagens. Ele só pode te dizer onde e como ir, DEPOIS QUE VOCÊ DECIDE o destino da viagem.

Um guia da floresta amazônica, por melhor que seja, será inútil como guia nas praias de Santa Catarina. Por isso, não estabeleça contato com um possível orientador, sem você ter uma boa parte do seu projeto definido. Professores são bons dentro de poucos temas. Nem mesmo o fato de ele ter ministrado aula naquele tópico, significa que ele conhece tudo que precisa para te orientar.

FRACASSO 07 – ASSUMIR COMPROMISSOS ANTES DA HORA

Outro erro comum é já falar com empresas, instituições, do seu desejo de ali fazer sua pesquisa. Mas sem ter o projeto pronto. São dois problemas. Como você vai apresentar um plano de ação para a empresa? E quais os resultados esperados que podem ajudar a empresa? Sem estas informações, você não têm argumentos para fechar o acordo.

Outro bom argumento para evitar assumir compromissos, é o fato de, durante o planejamento (projeto de pesquisa), você descobrir empecilhos a aquela pesquisa. Assumir compromissos antes da hora vai lhe amarrar a atividade, impedindo que você tome decisões como mudar seu projeto, abordagem ou até o tema da pesquisa.

Bom, chega de falar dos erros antes de começar o projeto de pesquisa. Existem muitos outros relacionados a parte prática e a apresentação da pesquisa. E estes assuntos são abordados em seguida.

ATO 03 – EXECUÇÃO

Na hora de botar a mão na massa, surgem alguns erros comuns. E novamente eles vêm com a “crença” de que quantidade é proporcional a qualidade. Quanto mais escrever, quanto mais itens pesquisar, quanto mais citações inserir… melhor será a pesquisa. Definitivamente não, e explico porquê.

FRACASSO 01 – MAIS É MELHOR

Na hora de realizar sua pesquisa, buscamos impactar ao máximo, para demostrar que somos bons para ser aprovados nesta tarefa. E ao tentar isto, caímos na armadilha do “mais é melhor”. Não tem como estar mais enganado.

Algumas pessoas utilizam a quantidade de páginas escritas como métrica de qualidade. Um bom TCC tem que ter entre 50 e 80 páginas, um artigo entre 10 e 15… E então, para atingir esta métrica, acabam “enchendo linguiça” no texto.

Outra forma de inchar a escrita é adicionar diversas citações “repetindo” uma afirmação. De acordo com Fulano (2012) “…” o que Ciclano (2015) também “…” e o Beltrano (2009) concorda “…”. Não tem nada mais tedioso que você ler 15 linhas que poderiam ter sido resumidas em apenas uma expressão!

E por fim, o erro clássico de achar que precisa fazer tudo. Pesquisa são feitas para resolver um problema, encontrar uma resposta a uma pergunta. Não tente fazer várias ao mesmo tempo. Aqui, aplique o princípio de Pareto (80/20). Faça apenas o essencial. Apenas o que vai trazer a maior parte do resultado desejado.

FRACASSO 02 – FAZER VÁRIAS TAREFAS AO MESMO TEMPO

Pegando como gancho o último argumento. As vezes por falta de clareza no planejamento e organização, acabamos em dado momento precisando fazer duas ou mais atividades ao mesmo tempo.

Como citei anteriormente, tenho como hobby aprender sobre neurociência. E aqui novamente eles são quase unanimes: A falácia da multitarefa. Nosso cérebro que pensa sobre as coisas, consegue focar em somente uma tarefa. Você até pode treina-lo para alternar o foco rapidamente entre duas ou mais. Mas ele não consegue fazer AO MESMO TEMPO.

Então pare de acumular atividades. Pare de achar que ser multitarefa é ser produtivo. Isso já virou “lenda urbana”. Foque em uma única tarefa, com concentração máxima, e a faça. Assim você será efetivamente produtivo.

FRACASSO 03 – DIFICULTAR A LEITURA E INTERPRETAÇÃO

Retornando ao argumento do fracasso 01 – mais é melhor – na questão de encher o texto de citações. As vezes por preguiça, é mais fácil copiar e colar do que citar com suas próprias palavras. E isto é um grande erro.

Meu orientador na graduação (e também no mestrado), sempre falou para evitar ao máximo as citações diretas. Primeiro porque o trabalho é de sua autoria, então sua visão e interpretação do assunto precisa aparecer. Segundo, como a maioria das publicações são em Inglês, a simples tradução já é a sua interpretação, portanto já não cabe mais você citar de forma direta (entre “”).

E claro. Não poderia deixar de falar da linguagem rebuscada. A arte de usar palavras esdrúxulas e obscuras, com o intuito de atravancar a apreciação da transcrição. Em algumas circunstâncias, o ser deixa a encargo do ledor sua franca apreciação da peça escrita.

Não é ruim precisar reler várias vezes o parágrafo acima para entender o que eu quis dizer? Imagina esta linguagem usada para descrever uma pesquisa realizada, o que por si só já é de difícil entendimento.

FRACASSO 04 – COMPRAR PARTES OU TODA A PESQUISA

Agora você chegou à conclusão que vai dar muito trabalho. Que seu projeto vai atrasar se você não der um jeito de agilizar. E normalmente este pensamento vem na etapa de coleta de dados. Então, você decide pegar o atalho de comprar dados para sua pesquisa.

Pronto. Acabou de jogar no lixo todo o seu trabalho anterior. Na principal atividade da sua pesquisa, você decide terceirizar sua execução, ou pior, nem saber a origem dos dados comprados. Como você quer analisar algo que desconhece sua origem?

Ah, quer saber? Já tá dando tudo errado. Não vou conseguir entregar a tempo. Já sei, vou comprar um pronto! Perfeito. Agora além de cometer erros, você acaba de cometer crime. Presta atenção! Não complique mais do que já está.

ATO 04 – DIVULGAÇÃO

Digamos que você sobreviveu até esta etapa de forma perfeita (ou quase). Até agora não cometeu nenhum dos fracassos aqui apontados. Executou sua pesquisa muito bem. E agora chegou a hora de mostrar a todos o resultado do seu trabalho. Não tem como dar errado! Claro que tem.

FRACASSO 01 – APRESENTAÇÃO TEDIOSA E CHATA

Não tem nada pior que você chegar para uma apresentação de pesquisa, onde o cara coloca INTEGRALMENTE as citações. Não contente com essa poluição visual, ele resolve que você é analfabeto, e as lê para ti. Calma que o desastre ainda não terminou. Ao passar para o próximo slide, adivinha o que acontece? SIIIMMM, aqueles efeitos de transição que lhe deixam com enjoo e tontura! Mais um combo de desastre, mais comum do que você imagina!

A apresentação do seu trabalho é tipo “melhores momentos” de uma partida de futebol. As partidas têm 90 minutos de duração, e os melhores momentos é um vídeo curto de no máximo 5 minutos. Você não precisa mostrar na apresentação todos os tópicos da sua pesquisa, com todas as citações. Foco no que é essencial. Foco apenas no que realmente é relevante para entender o que você fez, como fez, e os resultados que obteve.

Como dica, leia o livro “Obrigado pela informação que você não me deu” de Normann Kestenbaum. Li este livro um mês antes de defender meu TCC na graduação. Sério, eu já estava com a apresentação quase pronta (tinha até enviado ao orientador, para aprovação). Deletei o arquivo e recomecei do zero. Foi a melhor decisão que tomei. Inclusive recebi elogios da banca pela forma que montei a apresentação.

FRACASSO 02 – EXCESSO DE DADOS E TABELAS

Ok. Para evitar o erro anterior, de inchar com texto sua apresentação, você decide torna-la mais visual. E insere todos os gráficos, tabelas e quadros da sua pesquisa. Acredite, é tão ou mais chato e tedioso que o excesso de texto. Principalmente, porque estes você terá que “ler”. A interpretação direta é mais difícil. Você precisa explicar o que significa aquela figura.

Vou bater novamente naquela tecla. Foque apenas no essencial para entendimento do que você fez. Aplique Pareto ao quadrado. Simplifique. E leia o livro do Kestenbaum que falei anteriormente. Sério, vai mudar sua visão sobre apresentações.

FRACASSO 03 – ESQUECER DO TEMPO

Existe uma função muito importante em definir um tempo para apresentação. O fato que todo mundo tem outros compromissos. Sério. Sabia que as pessoas têm muitas coisas para fazer além de ficar ouvindo sua apresentação?

O recurso mais valioso deste século é o tempo, com certeza. Então ajude a todos. Poupe-nos tempo. Apresente rápido, sem enrolação. Quanto mais conciso você for, acredite, melhor será sua imagem para a banca.

Prepare com muita antecedência. Gosto muito de uma frase que resume bem quanto tempo você precisa dedicar para preparar sua apresentação.

“Se terei duas horas para explicar, estou pronto nesse momento. Se terei apenas 1 hora, preciso de não menos que duas horas para me preparar. Mas se me der apenas 10 minutos, preciso de pelo menos quatro dias” – Autor desconhecido .

OBS: Procurei muito, mas não consegui achar a referência a esta frase. Se souber, deixe nos comentários.

ENTÃO… COMO NÃO FRACASSAR?

O que funcionou para mim foi fazer basicamente duas coisas. A primeira, autoconhecimento. Sei que parece clichê, mas quase todo mundo nunca fez. Saber o que funciona para você, como você é… Tudo isto impacta e muito no resultado final, seja lá o que você for fazer.

No meu caso, entender que sou ruim com planejamento, especialmente prazos, também me fez perceber que devo minha criatividade a isto. E também minha produtividade. Não lido bem com prazos frouxos. Nem com tarefas com execução e prazos fixos, determinados. Ou seja, lido bem com a incerteza, com prazos expirando. Os meus melhores textos, projetos, todos foram feitos assim. E assim funciona para mim.

Você pode ser diferente. Então busque autoconhecimento. Se a primeira dica é adquirir conhecimento pessoal, a segunda é adquirir conhecimento do mundo. Sendo específico com projetos de pesquisas, acredito que o primeiro passo é conhecer a literatura do tema, antes mesmo de ter “batido o martelo” sobre qual tema fazer a pesquisa.

Como assim? Se você fizer um bom autoconhecimento, vai saber quais são as áreas que você tem maior inclinação, seja por ser bom (habilidade) ou gostar delas (afinidade). E também daquelas que deve evitar (incompatibilidade). Escolha uns 2 ou 3 temas alinhados as suas habilidades e afinidades (sem incompatibilidades), e faça uma rápida busca da literatura – saiba como neste outro artigo.

Assim, você terá informações suficientes sobre como é pesquisar estes temas. Terá, portanto, as informações para fazer uma boa escolha. E só então busque orientação.

Frase de Henry Kissinger

QUE TAL UMA AJUDA DO ORIENTADOR ONLINE?

A ideia deste artigo, a medida que fui lhe desenvolvendo, amadureceu a ponto de querer fazer uma “aula online” sobre o assunto. Acredito ser muito útil ensinar um passo-a-passo de como aplicar métodos de autoconhecimento e escolha do tema, para quem ainda não fez, ou não tem ideia de como fazer.

E aí? Tem interesse de aprender isto comigo? Basta deixar seu e-mail abaixo (ou numa janela suspensa que aparecer). Assim você ficará sabendo quando vai acontecer esta aula online.

E não somente sobre este assunto. Com o tempo (e, porque não, com a sua sugestão), farei mais aulas online sobre diversos assuntos, como foco no ensino de métodos e tecnologias para melhorar a execução e qualidade de projetos de pesquisa, o objetivo principal deste site. Portanto, cadastre-se para ser informando como e quando serão estas aulas online.


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