Na primeira parte deste artigo, foram apresentadas 8 soluções tecnológicas focadas principalmente na busca, seleção e gerenciamento das referências científicas para seu projeto. Nesta segunda parte, o foco é na parte prática, para aumentar sua produtividade, sua organização e planejamento durante as atividades de desenvolvimento do seu projeto de pesquisa.

Artigos coletados e armazenados, chegou a hora de desenvolver seu projeto. Dar forma e corpo a sua pesquisa. Nesta hora precisamos de outras soluções para suporte. Dependendo da área do seu projeto, vai precisar gerenciar outras fontes de informação (sites, vídeos, notícias, mídias sociais, e-mails, etc.), organizar atividades entre demais colaboradores (orientador, apoiadores, coautores, etc.), bem como escrever, formatar e revisar suas produções.

ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO

Desenvolver um projeto de pesquisa leva muito tempo, com diversas atividades e prazos para serem cumpridos. Confiar num simples calendário para se organizar e não se perder não é uma boa ideia. Existem outras soluções gratuitas de alta qualidade, que vão lhe garantir alta produtividade nestas atividades.

Confira nas próximas linhas outras 8 soluções tecnológicas para lhe auxiliar no desenvolvimento do seu projeto de pesquisa.

09 – Trello

Este aplicativo foi a minha mais recente descoberta dentre as sugestões aqui apresentadas. Foi fruto de uma entrevista de uma das pesquisas que estive conduzindo no mestrado. Ao questionar como uma empresa realizava a gestão dos seus projetos, o entrevistado me falou do Trello.

Imaginei ser uma solução cara e sofisticada, pois a empresa era grande e tinha muitos projetos sendo conduzidos ao mesmo tempo. Estava enganado. O Trello é uma solução em que sua versão grátis já dá conta total do recado. Ele é o queridinho do ecossistema de empreendedores e gestores de startups, afinal, ele também é uma delas.

Basicamente o Trello usa quadros, onde você adiciona cartões e os move entre listas. Já ouviu falar em fazer “to-do-list” (listas de tarefas a fazer) como método de organização? Você pode cria-las com o Trello. Atualmente estou usando-o para praticamente todos os meus projetos. Seja artigos científicos (pendentes do mestrado), seja conteúdos para este site/blog, seja para outros projetos pessoais – até um churrasco de aniversário pode ser organizado com ele!

Tem tantas funções úteis que mereceria um artigo só para ele. Vou destacar duas que acho sensacionais. A primeira diz respeito a permitir que você adicione colaboradores a seus quadros ou a cartões específicos. Ou seja, se você tem alguma tarefa em grupo, você pode adicionar suas contas do Trello, para todos verem o mesmo quadro, e se organizar. Que tal convidar seu orientador para o Trello? Assim ele pode ver seu progresso em “tempo real”.

A segunda é que ele permite que você adicione seus arquivos salvos no Google Drive, por exemplo. Assim, você pode acessa-los e continuar trabalhando de qualquer lugar, sem depender de dispositivo algum. Infelizmente, não dá para salvar muita coisa nele. Para isto eu uso outra solução.

10 – Evernote

Este é um guarda tudo digital. Nele você cria notas, salva páginas da internet, e-mails, fotos e seja lá o que for que pode ser arquivado digitalmente. É uma excelente solução para organização pessoal, e muito adequado para quem for realizar pesquisas que usam referências além dos tradicionais artigos ou livros, tais como notícias, vídeos online, fotos e outras mídias.

Ele funciona da seguinte forma. Você cria “livros”, os quais vão conter “cadernos”. Em cada “caderno” você vai salvando suas notas (como páginas). Caso você precise, por exemplo, mandar um e-mail para seu orientador no dia XX, você pode ainda criar um lembrete para esta nota!

Pessoalmente, o uso como solução tecnológica para implementar uma metodologia de produtividade chamada “Getting Things Done”. Uso principalmente para organizar minhas tarefas menores durante a semana. Atividades maiores e mais complexas, uso o Trello, mas salvo uma nota no Evernote para ser lembrado de quando devo faze-la.

Parece muita coisa para utilizar, mas cada uma é complementar a outra. E estas duas não são sugestões apenas para suas atividades do projeto de pesquisa. São úteis para a vida, para suas atividades pessoais e profissionais. Agora vou falar de outras soluções um pouco mais direcionadas a atividades do seu projeto de pesquisa.

MAPAS MENTAIS

Aqui mais uma sugestão que descobri apenas no meu mestrado, mais para o fim dele. Sou uma pessoa que aprende com maior facilidade quando algo é mais prático e visual. Convenhamos, ler artigos científicos não tem nada de “prático” e nadinha de visual. Por mais que relate uma pesquisa prática, seu conteúdo é texto teórico, na maior parte das vezes – agradeço quando tem quadros ou gráficos sintetizando informações da pesquisa.

Mesmo com a sorte de ter pesquisado um tema onde nitidamente os autores se dedicam a criar bons gráficos e quadros do conteúdo, ainda assim tive dificuldade. Então decidi adaptar a técnica de mapas mentais – que é diferente de mapas conceituais, outra alternativa visual usada por pesquisadores. Testei vários programas. Busquei sempre aquele mais completo, mas ainda assim gratuito – minha situação econômica é padrão universitário. Gostei particularmente de dois.

OBS: Você pode aprender a elaborar um mapa mental passo a passo com o Albano, do Seja uma Pessoa Melhor. Aliás, recomendo este canal do Youtube, pois nele tem vários vídeos de métodos, livros e dicas para ser uma pessoa mais produtiva. #ficaadica.

11 – Edraw MindMap (versão 7)

Este foi o primeiro que testei. Simples, fácil de aprender e aplicar. Exporta em pdf e jpeg. Suficiente para minha necessidade. A grande vantagem é sua interface lembrar muito as ferramentas do Microsoft Office. Isto facilita e muito a adaptação e aprendizagem das funções para criar mapas mentais.

Atualmente uso outro – a próxima sugestão. Mas decidi mantê-lo como uma excelente dica para iniciantes na técnica. Leva um bom tempo para você se adaptar e entender a dinâmica de criar mapas mentais de conteúdo. Então ter um software mais “familiar”, ajuda muito neste processo.

Mas o motivo de citá-lo nesta lista é pela “função combo”. O Edraw também permite a criação de fluxogramas – na versão 7 do aplicativo, pois na nova versão estas funções foram separadas em aplicativos distintos (versões grátis) ou unidas na versão paga Edraw Max.

Caso você precise citar um passo a passo de um método por exemplo, é fantástico você resumir tudo num fluxograma, do que escrever texto corrido para seu artigo/projeto/pesquisa. Não é um “saco” ler um texto técnico, metodológico, citando o passo a passo em um texto corrido?

12 – Xmind

“Demorei muito para te encontrar, agora eu quero só você…” Desculpe-me por inserir este trecho de uma música do Fábio Jr. Prometo não fazer mais isto. Mas foi assim de fato. Quando já estava desistindo por só encontrar versões “30 dias grátis”, e já tinha lido tantos artigos que não faria sentido começar de novo em uma nova ferramenta, encontrei o XMind – existe a versão PRO, paga, mas a versão gratuita é suficiente.

Muito simples de usar, prático, com muitos atalhos do teclado – aumenta a produtividade – e com boas funções para edição da aparência. Com certeza é uma excelente ferramenta exclusivamente para mapas mentais.

Atualmente o uso para quase tudo que faço. Desde resumir livros que leio, artigos (científicos ou jornalísticos), entre outros. Mas seu principal uso atual é para escrever aqui para o blog. Levo cerca de 30 min (sim, minutos!) para definir todos os tópicos que vou abordar, como pode notar no mapa mental deste artigo – e também da parte 01 – mostrado abaixo.

Ok. Dados coletados, tarefas organizadas, conteúdos para serem escritos estruturados em um mapa mental… O que falta? Colocar as ideias no papel. Escrever o texto, criar as figuras, quadros, tabelas e seja lá o que você precisar. E nisto fico com o tradicional e básico (mas robusto, muito robusto) Microsoft Office.

PACOTE MICROSOFT OFFICE

Sim, existem outras ferramentas específicas para escrever texto que são melhores que o Word. Existem outras soluções para planilhas melhores que Excel. E com certeza existem outros programas fantásticos que podemos criar apresentações melhores que o PowerPointJá conhece o Prezi? Acredite, existem e são bons. Mas tem um fator que não os ajudam na comparação com o Office. Tudo por causa da excelente compatibilidade entre suas ferramentas.

Como assim? Quando você criar uma tabela em um destes softwares, você consegue exportar como planilha para seu editor de texto (ou de apresentação)? Muito difícil. Quase sempre precisa exportar como imagem, para anexar ao documento. E é por este detalhe que defendo o Pacote Microsoft Office – mais especificamente o Word, Excel e PowerPoint.

13 – Microsoft Office Word

É notável o avanço que teve esta ferramenta nas últimas duas versões (2013 e 365). Principalmente na integração de funções entre as soluções do pacote Office. Assim o Word se tornou uma excelente ferramenta para escrever artigos/projetos de pesquisa.

Por que digo isto? Devido a facilidade e robustez da ferramenta de “referências”, permitindo inclusive que terceiros criem plugins (extensões instaláveis dentro da própria ferramenta) para oferecer novas soluções. E nesta parte, eu utilizo o plugin do Mendeley.

E caso não use o plugin, você ainda tem a alternativa de gerar um arquivo XML de referências, e importa-lo na aba “referências”, criando sua própria biblioteca/portfólio. Isto facilita demais a tarefa de inserir citações ao longo do texto e, é claro, criar a seção de referências ao final do trabalho.

E quando você precisa adicionar uma tabela, um quadro ou outra planilha qualquer? Se você a criou no Excel, bastar copiar e colar (ctrl C, ctrl V), e mais que isto, você pode edita-la com as opções de planilha do Excel, dentro do Word! Isso poupa muito tempo para fazer ajustes e adequar ao texto.

14 – Microsoft Office Excel

Pode não ser o melhor programa para analisar dados em tabelas, mas com certeza é o mais flexível deles. Nele é possível elaborar simples tabelas, ou criar tabelas dinâmicas, ou se você tiver um bom nível de conhecimento, realizar funções semelhantes a programas de bancos de dados de softwares sofisticados.

Mas o que realmente me cativa, além da facilidade de criar formulas para calcular dados, são outras duas soluções da ferramenta. Uma é a possibilidade de trabalhar com arquivos como .csv e .txt, formatos mais comuns de arquivos de dados coletados das bases de referências. Assim podemos usar a flexibilidade do Excel para analisar e extrair informações das referências que buscamos, inclusive criando filtros através de formulas.

Outra é a qualidade e facilidade de personalização dos gráficos. É possível editar vários detalhes, criar gráficos de dois e três eixos, inserir efeitos para melhorar sua visualização, enfim, deixar a informação visível e compreensível. E além de permitir exportação ao Word, também permite exporta-la ao PowerPoint, como tabela e gráfico mesmo, não como uma imagem estática e pronta.

15 – Microsoft Office PowerPoint

Um dos bons motivos de incluir o PowerPoint aqui nesta lista, não é a sua contestada ferramenta para criar slides. Por incrível que pareça, como mencionei anteriormente, existem soluções melhores para isto. O motivo real é utiliza-lo como uma ferramenta de edição de gráficos e imagens para não profissionais, e sua compatibilidade com o Excel e Word.

Cada vez que você quiser publicar um trabalho seu, onde contenha quadros, tabelas e gráficos, você passará com certeza pelo estresse de adequar as dimensões a página ou formatação do trabalho. Isto toma um tempo enorme, e quase nunca fica bom.

A vantagem é que usando o PowerPoint, você “vetoriza” a imagem. Vetoriza? Sim, transforma ela de imagem estática (que não permite redimensionamentos sem perder qualidade) para uma imagem vetorizada, a qual permite que você a redimensione, sem perder qualidade de resolução.

Já tentou tirar um print da tela e salvar no Word? Não perece que fica cada vez mais borrada quanto maior você a deixa? Então, se você criar a imagem dentro do PowerPoint, você pode aumenta-la lá para o tamanho que quiser, e não perde a qualidade. Sem contar a facilidade de importar tabelas e gráficos do Excel para ele.

Agora que eu lhe auxiliei também com a parte prática do projeto (escrever e editar), falta uma última dica de software. Um verificador de plágios.

16 – Detector de Plágios

Mesmo quando não queremos, e devido ao volume gigante de conteúdo existente graças a internet e outras tecnologias, é possível que algum trecho “original” do nosso projeto acabe contendo um plágio de outro trabalho. E como nossa língua portuguesa é muito rica (e complicada) em fornecer alternativas para a escrita, não custa alterar estes trechos para evitar plágio, sem prejudicar seu significado.

Nesta parte não sou especialista para indicar algum em específico. Usei raramente, e na maioria das vezes foi meu orientador que usou e me passou o relatório pronto dos trechos que deveria alterar. Mas considero muito importante você procurar um para usar quando estiver finalizando seu projeto de pesquisa.

Também há um motivo positivo para isto. Você pode acabar descobrindo com ele novas fontes de informação para seu trabalho, caso acabe “plagiando” algo já publicado por outro. Isto trará mais valor para seu projeto de pesquisa, e mais referências.

Ao buscar alguma referência de artigo para indicar programas para detectar plágio, me deparei com este excelente texto. Então faço as dicas deste texto, minhas dicas.

CONCLUSÃO

Eu sei, são muitos programas para aprender de uma vez só. Acredite, tenho outras sugestões que acabei excluindo desta lista. O objetivo é lhe informar das opções e porque você vai precisa-las. E conforme for executando seu projeto, pode retornar aqui para buscar a ferramenta adequada para a etapa que estiver.

Como falei, as sugestões são básicas, e claro estão totalmente embasadas apenas na minha experiência, sem nenhum critério de seleção por qualidade, exceto a minha opinião. Portanto, se você tem alguma sugestão ou alternativa as minhas indicações, sinta-se obrigado a compartilha-la com todos os outros leitores, comentando este artigo.

Ah, e se você quiser saber mais sobre métodos, tecnologias e outras dicas relacionadas a tarefa de desenvolvimento de projetos de pesquisa, deixe seu e-mail abaixo – quadro “Aprenda com o Orientador Online”. Assim posso lhe enviar algumas sugestões, links e comentários para lhe auxiliar nesta tarefa muito importante.

Inclusive, estou planejando realizar algumas lives (ainda estou aprendendo e escolhendo ferramentas para tornar isto viável, sem custo para mim), para conversar, trocar ideias e experiencias com vocês. E você só ficará sabendo QUANDO vai acontecer uma, se estiver inscrito na minha lista de e-mails. Também divulgo na página do facebook do Orientador Online.

Então, seria isto o que tinha para lhes contar no momento. Até o próximo.


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